Vale não respeita trabalhadores sobreviventes de Brumadinho


Depois  de mais de quatro meses do acidente criminoso ocorrido em Brumadinho, a Vale continua ignorando os graves danos sofridos por seus empregados, recusando-se a reconhecer o direito dos trabalhadores a uma justa indenização e lhes impondo atividades penosas de trabalho.

Os trabalhadores da Vale estão desamparados. Passaram a ser medicados com remédios psiquiátricos e são obrigados a conviver com a perda de colegas, amigos, familiares, sem uma estrutura efetiva de apoio. A empresa está convocando a maioria dos empregados para retornarem ao trabalho e auxiliarem os bombeiros na busca pelos corpos das vıt́imas, sem treinamento e sem condições adequadas.

Os trabalhadores sobreviventes que retornam ao trabalho são obrigados a presenciar cenas horripilantes de resgate de pedaços de  corpos  de seus        colegas soterrados pela lama, o que somente agrava o trauma sofrido, pois os obriga a reviver a dor e o sofrimento causados pelo rompimento da barragem.

Não bastasse o desvio de função a que são submetidos os empregados da Vale que trabalham ombro-a-ombro com os bombeiros, ainda lhes faltam adequadas condições de trabalho. As medidas de segurança, conforto, alimentação e descanso que são oferecidas aos bombeiros pela empresa são sonegadas aos seus trabalhadores. A empresa chega ao cúmulo de proibir que seus empregados consumam os mesmos lanches ou refeições oferecidas aos bombeiros.

Não podemos mais conviver com esta situação. A Vale precisa finalmente assumir a responsabilidade pelos danos que causou e reconhecer o direito de seus trabalhadores à assistência integral à saúde, a boas condições de trabalho e a uma justa indenização. As atitudes da empresa pós-acidente estão agravando a dor e o sofrimento dos sobreviventes.

O METABASE Brumadinho convoca todos os trabalhadores sobreviventes da Vale para discutirem essas questões.

A Assembleia será realizada nesta quinta-feira (13/06/19), às 18 horas, no auditório da Quadra de Esportes, 1.000, Bairro Progresso, em Brumadinho.

 

TRABALHADORES DA VALE EXIGEM RESPEITO

NÓS SOMOS SOBREVIVENTES

NÃO SEREMOS ENTERRADOS VIVOS