18Outubro2017

Documentos 6/12/2016 Grupo lança livro com reflexões sobre o desastre de Mariana

6/12/2016 Grupo lança livro com reflexões sobre o desastre de Mariana

  • PDF
altO Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS), da Universidade Federal de Juiz de Fora, produziu o relatório de impactos ANTES FOSSE MAIS LEVE A CARGA: reflexões sobre o desastre da SAMARCO/VALE/BHP BILLITON, publicado pela Coleção a Questão Mineral no Brasil. VOL 2. Editorial iGuana, Marabá 2016.O arquivo em pdf encontra-se disponível para download.
Confira um trecho do relatório:

Apresentação

Com o rompimento da Barragem do Fundão no município de Mariana no estado de Minas Gerais, em novembro de 2015, quebrou-se o elo convencional e o estigma que ainda se resguardava de uma contínua contradição, de não nos percebermos como um país minerador. As mais de 80 milhões de toneladas de lama que eclodiram sobre a bacia do rio Doce expuseram uma dialé- tica da repetição à sofisticada e destrutiva indústria de extração mineral do país. 


Caso fosse dividido, cada brasileiro, receberia do trio Samarco/ Vale/BHP Billiton, responsável pela tragédia, aproximadamente 450 quilos de rejeitos da mineração, que ficaram apenas nas costas da população de Bento Rodrigues e várias comunidades e cidades entre Minas Gerais e Espirito Santo que viraram, da noite para o dia, uma extensão do complexo minerador de Mariana. Parte da população brasileira viveu e a outra viu pela primeira vez os efeitos da indústria da mineração para além dos lacônicos bordões “superávit primário” ou “equilíbrio da balança comercial”.

A tragédia de Mariana é inesgotável em exemplos, do mito da bonança ao progresso inevitável, numa desmensurada relatividade de que tudo pode ser recompensado. A mineração é destruição e desperdício, seja da forma que for, tudo é sucumbido pela lógica da “produção em roA questao mineral-vol2-out.indd 7 24/10/16 14:20 8 A Questão Mineral no Brasil - Vol. 2 dagem perpétua”1 , ou seja, minas sendo exauridas 24 horas diariamente, determinando uma crise entre o trabalho e a máquina - que o substitui crescentemente para aumentar o volume de produção -; a natureza como fonte de acumulação primitiva sendo moída por sistemas mecanizados tendo o lucro máximo como alvo e uma população ao redor refém de promessas, subjugada por uma riqueza apenas imaginável, não tangível.